domingo, 26 de setembro de 2010

[Da casa das crônicas] Ela disse adeus

Ela dissesse o que quisesse. Não adiantava mais. Ele estava decidido. Viajaria nas férias para Costa do Sauípe na Bahia e se ela recussasse ir junto que ficasse em casa. Nada mais justo.
Chorando copiosamente como a "ursupadora" ou a Maria do Bairro do Luis Fernando, implorava para que ele não fosse, que passassem as férias juntos, já que era inverno e para o frio era mesmo mais propício uma lareira que praia.
Haviam brigado há duas semanas. Ela achara em seu paletó, não uma marca de batom, mas um perfume esquisito. De outra mulher, obviamente. Depois de terem discutido, acordado toda a vizinhança com xingamentos e panelas, alá protestos argentinos, tomando toda a avenida e ele ter negado tudo, claro, pôs-se ela a deixar para lá de forma muito estranha e abrupta. Nos dias que se seguiram fez comidinhas exóticas, sobremesas engordativas. Não preciso nem dizer que ele gostou, apesar de ser a coisa mais incomum depois de 15 anos de casamento.
Eis que chegam as férias e viajar ou não viajar, mas ficarem juntos, poderia significar o reacender da chama da paixão como dizem por aí. Mas não, ele foi, ela ficou. Tranquila e com ar de conformidade, fez limpeza de pele, drenagem linfática, foi à academia, assistiu comédias românticas, foi a uma boate. Atendeu a porta, recebeu outro homem, realizou um grande sonho: fez sua primeira streep-tease. Realizou todas as suas mais loucas fantasias. Fez as malas enquanto o rapaz tomava banho, pegou tudo de mais importante: a coleção de cds do Martinho da Vila, a preferida de seu marido, bem como o baralho utilizado para suas jogadas de pocker, deu de presente ao rapaz a chave de casa e foi embora.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

[Da casa das crônicas] Bom apetite!

Todo dia eu como besteira. Na hora do almoço como sempre algo que não presta e, embora seja gostoso, acaba me dando uns quilos extras. Resolvi melhorar essa situação, apertando meu tempo para voltar a almoçar num restaurante bacana que tem no Campo Grande.
Cheguei por volta das 11:30h, e não tem muita gente. Coloquei minha mochila numa mesa para dois, se por acaso muita gente chegasse e eu ficasse sem lugar. Calmamente escolhi meu almoço, por sinal, bem saudável: salada de rúcula, purê de batatas, cenoura, alface, beterraba, couve-flor e uma carne ensopada com molho suculento meio vermelho, meio branco.
Na volta para a mesa, contente e com a barriga gritando, percebo que na outra cadeira tem uma bolsa com o nome de uma loja de roupas de gala: "Maibela" (olha o merchan...). Minha mãe sempre compra roupa nessa loja, e como houve formatura recentemente, temos várias dessas bolsas em casa. Pensei no ato: é minha mãe! Claro, ela sabe que almoço aqui às vezes, viu minha mochila e sentará comigo. Contente pelo encontro, comi na maior felicidade. Mas logo veio um sentimento de que poderia não ser mamãe. Odeio dividir mesa com quem não conheço, ainda que seja obrigada a fazer isso algumas vezes. Da última vez o rapaz quase compartilhou sua comida comigo enquanto mastigava... E eu nem pedi.
Já desanimada pela demora e imaginando que minha mãe não é a única cliente do Maibela, já me preparei para a surpresa. Neste momento vem andando vagarosamente uma senhora com um prato na não, já deve ter seus 79 anos, bem velhinha, boca murcha. Mas não me entenda mal, adoro idosos, quem me conhece, sabe. Mas isso não significa que eu goste do som que eles produzem enquanto comem. E eu sei que quando eu estiver velha também o farei, por isso, nessas ocasiões, prefiro aguentar.
Ela saiu novamente, voltou com um pedaço de pudim e, quando sentou olhou para mim e disse: "Bom apetite",  agradeci. Apoiou os braços na mesa e começou a orar, mostrando total tradicionalismo católico. Bem devagar começou a comer, o repolho caiu de sua boca no prato e, como a mesa é pequena, não dá para fugir. Vi que ela tinha pego a mesma carne com molho, prontamente procurei outros pontos de fuga para parar descansar meu olho de tarefa tão enfadonha, difícil. A mesa poderia ser maior, essa pequena distância é incômoda. Ela colocou a carne na boca que mal abria e o molho foi escorrendo e, para resolver, ela produzia um movimento nos lábios murchos e melados para sugar o molho meio branco, meio vermelho, que já tinha deixado de ser suculento.
Sinto em dizer, mas não aguentei, nada mais me dava prazer. Meu estômago, antes faminto, recusava qualquer garfada e olha que nem sou uma pessoa chata, converso de qualquer coisa enquanto como, mas eu estava vendo, e aí era demais. Deixei o prato com comida, ainda. Pedi licença a senhora que ainda depositava em seu queixo restante do molho e saí. Ela me olhou com uma cara indignada, como quem diz: " Deixando comida no prato, que absurdo, e eu ainda desejei bom apetite", e eu fui pagar com a cara de quem diz:  "A verdade é que eu perdi o apetite todo, senhora. Me desculpe, mas vou tentar uma marmita, agora".

domingo, 29 de agosto de 2010

Sábado.

Ontem fui ao Jam no Mam, um evento que acontece todo sábado no Solar do Unhão. Legal. Música de qualidade, o bom e velho Jazz, e o povinho de "sempre".
Na volta para casa, peguei um ônibus e fiquei observando o desce e sobe de gente num começo de sábado badaladíssimo. Mombojó no Pelourinho, efervescência cultural no Rio Vermelho, partido-alto, rock, eletrônico - o acarajé de Dinha sempre na linha -, Porto bombando, e eu indo para casa às 22:00 hs. Não sou muito de dar virote, acabo voltando logo cedo e talvez  perca grande parte do "sacodimento" do sábado soteropolitano.
Entrei no ônibus vendo aquela agonia toda e meu olho bateu diretamente sobre um menino/garoto/rapaz. Ele estava sentado lá na frente na janela, atrás dele dois amigos, uma moça e um outro rapaz, pareciam não ser velhos conhecidos, mas amigos. O garoto virava o rosto para trás, quase num contorcionismo, para não deixar o papo voar, para não ser mal educado.
Fiquei com pena, ele ficava com uma cara de dar dó, virando, se contorcendo. O papo não parecia estar nada interessante e vi que estava doendo muito o seu pescoço. Puxa... Não me contive: eu ri. Não deveria - não por ele, a situação era mesmo engraçada, mas por mim, rindo sozinha no ônibus. Peguei rápidamente o celular e ainda não contendo o riso, fingi estar rindo de mensagens recebidas.
Enquanto eu ria de cá, o garoto virava seu corpo para manter a educação, não incomodar quem estava ao seu lado, se fazer presente no papo com sorriso amarelo, provavelmente da dor a que estava submetido.
É provável que eu tomasse atitude igual numa situação dessa. Deveria-se usar a boa educação para pedir licença e virar, alegar estar com o pescoço doendo.
Ah, maldito bom senso!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Caminhos

Quando o universo tira de você algo importante, imediatamente põe outro. Não é que substitua, mas você entende que o anterior não poderia ser seu. Pelo menos por enquanto.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

HOMENS

Estou tentando entender os homens. Por que fazem milhões de galanteios bobos e nada querem. Por que não são logo diretos quando não querem nada a mais. Mulher que tope esse tipo de empreitada não falta. Te chamam de linda, maravilhosa, cheirosa, fofa. Dizem que te adoram, e não é que mintam, mas eles entendem muito bem que esse tipo de tratamento é sinônimo de outra coisa, não de sexo. E eles querem sexo justamente com aquelas que querem mais que isso, porque é mais interessante de conquistar. As que querem o que eles querem eles topam, claro. Mas não tem muita graça.
Bem, são só percepções antigas, mas acho que estou chegando lá.