terça-feira, 8 de junho de 2010

PALAVRINHAS

DESISTIR
DES ISTIR
DE - ESISTIR
DE = NEGAÇÃO quando prefixo
ESISTIR = EXISTIR? Trocando o s pelo x
NÃO EXISTIR?

ESCOLHER AONDE NÃO EXISTIR. DESISTIR DE IR ALÍ. NÃO ESTAR ALÍ. DESISTIR DE VOCÊ. ME ANULAR A VOCÊ.

INTRIGANTE.

domingo, 6 de junho de 2010

Estafa!

Odeio domingo. Odeio ficar ansiosa.
Segunda, chegue logo!

No mais, devo postar fotos por aqui, mas outro dia, que hoje eu não 'tô boa!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

[Da casa das crônicas] Dona Leopoldina

Dona Leopoldina, uma senhora de mais ou menos 50 anos, gorda, baixinha, bem baixinha, quase uma anã, faz doce há 20 anos, é a doceira mais famosa da região. De brigadeiros a mini-coxinhas, todo casamento que se preze tem doces e salgados de Dona Leopoldina. Mas o número de casamentos diminuiu, Santo Antônio já não se reza tanto pelas mocinhas e seu freguês mais assíduo era Pe. Januário, simpático senhor em que todas as missas Leopoldina encontrava. Era já sabido pela doce senhora que houvesse feira da paróquia ou não houvesse, era a ela a quem Padre Januário recorria. E, ainda assim, continuava pregando todos os dias contra o pecado da gula...
Acontece que Padre Januário, como todo padre, foi mudado de paróquia, mas sem o conhecimento da jovem senhora. Desespero dos fiés não havia, nenhum doce era compartilhado com a comunidade, nem as pobres freiras conheciam pelas mãos de padre Januário o talento de Dona Leopoldina. Ficava com todos para si, comia-os todos em segredo.
Era final de tarde e a paróquia encontrava-se ativa! Fiéis chegavam para a primeira missa do novo padre que, em respeito a Dona Leopoldina, não me atrevo a dizer o nome. Ela, quando soube da mudança de seu querido padre, aos prantos, tratou de fazer uma bela bandeja de doces e salgados para receber aquele que chegava. Seu talento poderia conquistar o novo padre e sua renda não se perderia.
Já chegava-se à metade da missa, o padre fazia o juramento do corpo de Cristo, quando entra Dona Leopoldina com sua bandeja na mão. Diferente de antes, pela porta da frente, a fim de que seu agrado surtisse efeito. Caminhou até ele, esperou ao lado, bandeja suspensa, e quando o padre entregava a taça para o ministro paroquial, sussurrou-lhe no ouvido o bordão de sua produção: "Doces doces de lamber os beiços, se quiser comprar, abaixo o preço". O novo padre arregalou os olhos como se acabasse de ouvir a pior injúria e proferiu em voz alta: "A esta, que ocasionou a saída de padre Januário, exconjuro pelo pecado da carne, pelo pecado da gula, pela luxúria! Retire-se, oh, espírito perturbador!"
Dona Leopoldina saiu perplexa pela porta lateral, por onde sempre entrara todas as tardes para levar doces a seu Januário. Geralmente freiras a espreita viam a doce senhora entrar todos os dias com bandejas e sair sorrindo, depois de duas, três horas. Fuxicavam a todo momento. Coisa boa não seria. Padre Januário não cometeria pecados de gula a que tanto desprezava, mas de aos de luxúria, esses, com certeza geravam não as maiores dúvidas, mas, as maiores certezas.

sábado, 29 de maio de 2010

Ah, eu queria, agora, um grande amor
Mas só por esta noite
E que quando for embora
Nada lembre eu dele
Nem ele de mim
Não quero continuar e esperar o fim.

domingo, 23 de maio de 2010

[Da casa das crônicas] O barulho das maçãs


Todas as quintas-feiras pego o ônibus na estação às 18:30 da tarde para ir ao lugar onde moro, que pouco interessa a quem lê isso aqui, depois de uma longa jornada de papéis marrons - eu trabalho com papéis marrons.

O que importa mesmo é um garoto. Não é tão novo, deve beirar seus 27 anos, mas para mim, novo, menino... Sempre que chego à fila ele vem logo atrás a também esperar a condução. Sério, calado, tira seu ipod da mochila e, acredito, liga, e põe os fones nos ouvidos. Das primeiras vezes que nos encontramos resolvi lhe fitar os olhos, mas chance não tive para continuar tal conquista. Bobo engano achar que ele veria alguma coisa. Seu universo parecia construido de vermelhas maçãs, somente.

Entramos no ônibus. Algumas vezes sentava-se ao meu lado, depois, nunca mais o fez, percebi que prefere os bancos solitários como eu. No vai e vem de passageiros que descem e sobem, entre paradas a todo momento, seguimos até o bairro que por sinal, é o mesmo. Eis que chega em frente a um condomínio verde com o nome em letras amarelas, o garoto retira de sua mochila uma vermelha maçã, morde-a com calma e o primeiro som ecoa por toda a condução, como aquele comercial antigo que dizia: "compre na nina, menina! "Croc!". Você lembra? Todo mundo pegava uma maçã e tentava encontrar na mordida som igual ao do comercial. Pois é...o som era assim, ou até melhor. É... bem melhor.

Perguntei-me por milhões de vezes porque sempre começa a comer em frente àquele condomínio e aonde ele compra maçãs tão crocantes(não sei bem se crocante seria a palavra), pois nunca vi coisa igual. Ele morde vagarosamente, com pausas longas, mas quase calculadas, como se quisesse ir até o fim da viagem comendo a mesma maçã. E assim acontece. Todas as quintas-feiras, quando chegamos ao ponto final, ele dá a sua última mordida, enrola o que restou da maçã no plástico, levanta-se e desce sempre à minha frente.
Há três semanas sumiu, nunca mais o vi. Minhas viagens começaram a ficar vazias, estranhas, nada consegue me ninar até o final da viagem que não seja a maçã. Era maravilhoso ouvir pausadamente cada mordida, ou dormir em meio a elas, desde o condomínio até o ponto de minha casa, ou de nossa casa. Agora, pergunto-me se nunca mais pegou a condução porque não come mais maçãs, se não consegue mais morder do mesmo jeito, ou porque não vende mais daquelas maçãs e as novas não tem produzido mais o mesmo barulho, o mesmo barulho crocante, se ele morreu...

Bobo engano seria pensar que aquele barulho faria parte da vida de um garoto e seu ipod. Acho que as maçãs vermelhas e crocantes faziam mais parte da minha vida do que da dele. Ele nem poderia ouvir o barulho das maçãs, o som do seu ipod abafava o encanto, isso é se ele realmente o ligava. Nunca o vi cantando, nem esboçando nenhuma reação musical... E eu não consigo mais, não consigo mais sair de lá a esperar ele aparecer, não consigo mais entrar no ônibus e sentir o vazio sem as maçãs vermelhas. Desisti. Nunca mais pego também o mesmo ônibus. Prefiro esperar o próximo. Ou, quem sabe, ele tem pego o anterior...